Desisti de ter carro. E foi ótimo!

Faz um tempão que estou enrolando para fazer esse post aqui para vocês. É sobre a melhor coisa que eu deixei de ter: um carro!

Antes de qualquer coisa, quero dizer que EU SEI que não é todo mundo que pode se dar ao luxo de não ter carro. Soa estranho, né? Mas não é toda cidade que possui infraestrutura de transporte público e/ou oferta de aplicativos de mobilidade (Uber/Cabify/99) a ponto de poder confiar em outro modal de transporte.

Mas eu moro em São Paulo capital e perto de estações do metrô, e não tenho filhos (o que geralmente exige termos carro também). Então não tinha muita desculpa no meu caso, sabe? Por mais de um ano eu fiquei morando perto do metro e indo a pé para o trabalho, mas mesmo assim não tinha coragem de desapegar da ideia de possuir um carro, mesmo usando-o pouquíssimo. Até que tomei coragem e vendi.

Meu carro era velhinho; então ele dava bem pouca despesas. Eram R$ 100 de rastreador (as seguradoras não o aceitavam mais) e uns R$ 60 de gasolina por mês (realmente usava bem pouco). O IPVA dele à época estava em torno de R$ 900 ( = 75/mês).

Total de gastos mensais: R$ 235. Não estou colocando na conta eventuais manutenções e valet/estacionamentos porque eu gastava bem pouco com essas coisas também.

Vendi meu carro em maio do ano passado. Então, fiz um levantamento do quanto gastei de Cabify/Uber/99 nos seis primeiros meses, a partir de junho – primeiro mês completo que estava sem carro:

Jun: R$ 154
Jul: R$ 111,51
Ago: R$ 166,73
Set: R$ 244,6
Out: R$ 308,41
Nov: R$ 162,53

Resultado: só em dois meses eu ultrapassei com Uber o valor dos meus gastos com o carro (em um desses meses eu fiz duas viagens, então poderia até tirar da conta, porque eu usaria o Uber na viagem mesmo que tivesse carro. Mas mantive mesmo assim).

No total dos seis meses, eu teria gasto com o carro R$ 1.410 e com os aplicativos de transporte eu gastei R$ 1147,95.

Além da economia de R$ 252,05, devo dizer que mesmo enquanto eu tinha carro, eu já usava Uber com alguma frequência…

Devo dizer também que o valor que eu obti com a venda do carro foi integralmente investido. Nos três primeiros meses dessa aplicação, eu obtive um rendimento de R$ 463,63. Nem estou colocando esse lucro na conta, porque eu realmente “dei sorte” que a bolsa de uma boa subida no momento em que fiz a aplicação. Mas mesmo assim, né?

Bom, esse post teve dois objetivos:

Um deles é tão simples quanto sugerir que você reflita especificamente se você precisa mesmo de um carro ou não. Automóvel é o que o Robert Kyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre, chama de “passivo”: algo em que você investe dinheiro, mas que só lhe dá prejuízo e aumento de gastos (a não ser que você seja um investidor em carros, o que é outra história!). E o que vai nos deixar ricas é investir em ATIVOS: coisas que vão nos gerar lucros futuros.

A outra coisa que queria era estender essa reflexão para outros aspectos da sua vida: quais são os bens, objetos, hábitos que você possui e mantém que só drenam o seu dinheiro? Só geram gastos cada vez maiores, sem retorno financeiro algum? Essas coisas poderiam ser eliminadas sem muito impacto no seu bem estar e qualidade de vida? O que te impede de se livrar dessas tralhas?